Em um dos primeiros artigos que escrevi para o Jornal da Cidade, trouxe uma linha do tempo sobre a luta feminista. Como começou, as reivindicações. Conquistas reais, objetivos nobres e de valor – votar, ir à universidade, voz na sociedade, espaço no mercado de trabalho. Direitos civis para as mulheres tanto quanto para os homens. E aquelas e aqueles que primeiro acreditaram e lutaram por isso, merecem toda admiração e respeito, assim como os motivos pelos quais tanto lutaram.
No entanto, como faz com tantas outras coisas, a atual geração tem se empenhado em destruir também o feminismo, e distorceu-o ao ponto de torná-lo irreconhecível ao seu verdadeiro propósito. E, ao ultrapassar a linha do ridículo, então, fê-lo por fim desprezado ou, no mínimo, desgostoso aos que ainda conservam a sanidade. Sim, porque o “feminismo” criado por essa geração, os “filósofos de rede social”, não é feminismo de fato. Vamos nos referir aqui como “feminismo de hoje”. Ele é resultado de uma profunda tendência à futilidade, à banalização de tudo, que vem se alastrando nas mais diversas estruturas sociais, tomando conta da lógica, da razão, da coerência e até da ética. O pensar deixou de existir, dando espaço a ideologias vazias, completamente contraditórias e sem sentido.
E assim, surge esse falso feminismo: um padrão específico de mulher, a “empoderada” – muito palavrão, roupa de menos, frases de efeito prontas e dotadas de uma falsa “super-autoestima”, e uma também falsa valorização feminina. Sim, porque, uma geração de mulheres que respeitam a si mesmas e às suas iguais, que se dizem “feministas”, não poderia idolatrar o Funk como faz – o “gênero musical” (se é que se pode chamar assim) mais ofensivo e agressivo à figura feminina. Mas, ao mesmo tempo, “rebolar” tornou-se a moda da vez, assim como fotos seminuas nas redes sociais, com legendas de “empoderamento”. E a objetificação sexual do corpo feminino tornou-se uma prática da própria mulher “feminista” de hoje, que de feminista de verdade não tem nada, só hipocrisia ao falar sobre isso. E qualquer uma que não se encaixe ou louve o tal padrão é hostilizada, taxada de “machista” e coisas do tipo. Então, não é mais pela liberdade de a mulher ser quem ela quiser realmente ser, mas por um novo padrão de mulher pré-estabelecido. Uma nova forma de ditadura que, francamente, só baixou o nível da classe feminina. E eu, mulher que sou, posso dizê-lo: é vergonhoso e decepcionante.