Assistindo as entrevistas do candidato Jair Bolsonaro no programa Roda Viva (TV Cultura) e na Globonews, lembrei-me da eleição de Donald Trump nos EUA e da frase da jornalista da Globo Gioconda Brasil que afirmou categoricamente em seu perfil no Tweeter: “No Brasil, não existe cobertura das eleições americanas. Existe torcida pela vitória de Hillary Clinton”.
Isso porque, além do viés nitidamente esquerdista destas duas emissoras (e da maioria dos jornais e revistas brasileiras), há o que se chama de “opinião das massas”. De maneira simplificada seria a tendência a acompanhar a opinião do grupo (mesmo que esta esteja errada) para que se possa ficar devidamente integrado a esse mesmo grupo.
Muita gente acha que Trump é homofóbico, fascista, misógino, antissemita, etc. Dizer que nada disso é verdade é ir contra a opinião das massas e, portanto passível de ser desprezado e excluído do grupo. Guardadas as devidas proporções algo semelhante ocorre com Bolsonaro, no Brasil. Dizer que vai votar em Bolsonaro significaria para o grupo que você é um idiota, direitista, fascista etc.
Dizer que as mulheres não ganham menos do que os homens, que as mulheres iniciam a violência doméstica em quase 50 por cento dos casos, que o aquecimento global é uma farsa, que Che Guevara era um imbecil assassino, que Madre Tereza de Calcutá era uma vigarista que maltratava os doentes de seus “hospitais”, que Nelson Mandela foi preso não porque protestava contra o apartheid, mas sim porque era terrorista, que Lula é apenas um bandido preso, que o PT é uma organização criminosa, que permitir que as pessoas honestas portem arma diminui a criminalidade e não a aumenta, que é preciso reduzir a maioridade penal porque bandido não é vítima da sociedade, que os pesticidas e os alimentos geneticamente modificados são uma ferramenta para diminuir a fome no planeta und so weiter, é ser politicamente incorreto e atrair a fúria dos esquerdistas contra si.
Por essa razão o indivíduo acaba concordando com a opinião do grupo, afastando assim qualquer ameaça física ou psicológica contra si.
Esses mesmos grupos moldam suas opiniões no que veem ou leem nas revistas, canais de TV ou jornais esquerdistas. No caso dos jornalistas brasileiros, além da doutrinação esquerdista nas faculdades, são apenas ventríloquos do New York Times, Washington Post, The Independent, The Guardian, Huffington Post, The Atlantic, The Economist, Politico, CNN, NBC news, MSNBC, CBS News, ABC News, USA today, BBC, Buzzfeed, Slate, New Yorker, Bloomberg, El Pais, para citar alguns. Emitir opiniões contra essa escória jornalística é anátema para nossos jornalistas amestrados.
Por isso tentam destruir o candidato Bolsonaro com perguntas sem relação com o cargo a que postula e criticam-no por dizer que nada sabe de economia. Em 2002, Lula disse à Folha de São Paulo (agosto de 2002) “eu sou defensor de um Estado forte, um Estado com autoridade, um Estado do desenvolvimento, um Estado planejador”, ninguém comentou nada sobre isso e Lula depois ajudou a eleger Dilma Rousseff o que levou o país à bancarrota. Talvez, para esses jornalistas esses dois é que sabiam de economia…
Os jornalistas amestrados acabam perdendo a chance de mostrar as fraquezas de Bolsonaro (que são muitas) e apenas conseguem passar vexame na TV e, no fim, puxar mais votos para o candidato.
Para entender esse fenômeno melhor é recomendável a leitura do livro clássico de Jose Ortega y Gasset, “A Rebelião das Massas” e o de Erik von Kuehnelt-Leddihn, “The Menace of the Herd or Procrustes at Large”. O dramaturgo brasileiro Nélson Rodrigues explicou o mesmo fenômeno de forma mais direta: “Outrora os melhores pensavam pelos idiotas; hoje os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina”.
É por essas e outras que o impagável Homer Simpson diz: “Nunca diga nada a não ser que tenha certeza de que todo o mundo pensa o mesmo”.