Era um oratório familiar. Objetos sagrados, velas, livros de oração e de canto, imagem de Buda, foto do Dalai Lama, incenso e quadros sagrados. E uma velhinha lá se recolhia todos os dias e desfiava seu rosário lentamente repetindo a oração “OM MA NI PAD ME HUM” a fim de que Buda desse em casamento um homem rico para sua filha.
Um homem pobre, por ter visto a moça no mercado, fascinou-se por ela. Sabedor dos projetos da mãe rezadeira, engendrou um estratagema para se apresentar como rico. Escondeu-se dentro do oratório e esperou a velha ir rezar. Quando ela terminava e ia se retirar, uma voz (ele), falou: “Amanhã, num cavalo branco, aparecerá um homem rico para pedir sua filha em casamento”. E no dia seguinte, belo dia, cedinho, preparativos e aguardar. E no horizonte apareceu afinal. Bom?! Mau?! … É dádiva dos deuses e não se discute.
Chegou o pretendente. Roupas emprestadas pelos vizinhos. Montado em seu cavalo único. Desmontou. Sorriu. Tomou as mãos da jovem. Entraram em casa. Oficializou o pedido de casamento. Alegria geral. Os vizinhos fizeram festa. Deus ouvira a prece da viúva. Era coisa do céu. Celebradas as festas, ajuntaram os trapos e as trouxas e partiram.
O noivo estava preocupado com a reação dela quando da descoberta da farsa. Ela poderia fugir. Parou. Desceu o baú. Esvaziou-o e enterrou as coisas dela. Pediu-lhe que se encerrasse na arca para ter uma surpresa ao chegarem em casa. Trancou o cadeado.
Deixou a caixa à beira da picada. Foi para casa e avisou os vizinhos que traria uma noiva nervosa e se ouvissem gritos, não se incomodassem. Colocou fortes ferrolhos nas portas. Reforçou as janelas. Trancas… para ela não fugir. Enquanto isso, um ricaço passava e viu o baú. Arrebentou o cadeado e ao ver a linda criatura, levou-a, pois era solteiro. Dentro do baú colocou um urso violento e feroz.
O noivo pobre veio buscar a caixa com a encomenda. Introduziu-a em casa. Trancou as portas. Eta festa! Do urso, é claro! Gritou. Mas em negócios de família ninguém, de bom senso, se intromete. Os dois se entenderam. Depois reinou a calma. A moça teve o rico que a mãe pedira a Buda. O urso sossegou a fome e todos viveram (?) felizes para sempre.