Sergio Moro foi à sua primeira entrevista ministerial como uma espécie de omelete da qual os repórteres se serviriam. Transformou o encontro num bufê. Numa exposição inicial, selecionou os pratos mais indigestos que estavam no noticiário. Antes que soasse a primeira pergunta, ofereceu respostas por conta própria. Não deixou de ser espremido. Mas privou os inquisidores do prazer de quebrar os ovos. Com suas declarações, colocou para rodar a Operação Lava Jato 2.0.
De saída, Moro declarou que não poderia pautar sua vida pelo “álibi falso da perseguição política” criada pelo petismo. Realçou que Lula foi “condenado e preso porque cometeu um crime, e não por causa das eleições”. E disse que não vai à Esplanada como uma “recompensa”. Mostrou-se seduzido pela ideia de implantar “num nível mais elevado” o modelo de sucesso da força-tarefa de Curitiba. “Pretendo chamar pessoas altamente qualificadas, inclusive pessoas da Lava Jato – tanto por sua eficiência como por sua integridade.”
Confirmou a intenção de desembrulhar o pacote de 70 medidas anticorrupção organizado sob a coordenação da Fundação Getúlio Vargas e da Transparência Internacional. Mas será cirúrgico. Pinçará do embrulho apenas as medidas mais estratégicas, numa quantidade que possa ser digerida pelo Congresso em seis meses. Enquanto testa a disposição dos parlamentares de colaborar, planeja levar a tecnologia da Lava Jato para o combate ao crime organizado. Foi brilhante. Siga assim