Estamos em Joinville assistindo a uma proposta para banir os canudinhos de plástico para ajudar a salvar os oceanos. Assim, através dessa brilhante medida, as crianças e pessoas com cirurgias na boca ou odontológicas não mais poderão utilizar esses monstros antiecológicos.
Mais tarde virão as proibições de talheres de plástico, sacolas de supermercado e outros objetos feitos de plástico.
O problema é que o banimento não vai resolver nada e sim criar outras dificuldades. Vem à mente a célebre frase de H.L.Mencken: “Para cada problema complexo há sempre uma solução simples, elegante e errada”.
O argumento para essas proibições é a poluição, mas a maioria dos dejetos plásticos nos oceanos que ameaçam a vida marinha não é de canudinhos, como Adam Minter da Bloomberg Opinion demonstra (https://www.bloomberg.com/opinion/articles/2018-06-07/plastic-straws-aren-t-the-problem).
Mesmo se for verdade que cerca de 8,3 bilhões de canudinhos estejam nos oceanos, isso significaria cerca de 0,03 por cento dos 8 milhões de toneladas métricas de dejetos plásticos nos mares. Quase metade destes dejetos plásticos é de restos de redes e materiais de pesca que, é óbvio, tendem a capturar criaturas do mar. Limpar esses restos de materiais de pesca é uma maneira mais inteligente de lidar com o problema do que proibir o filho de meu vizinho de tomar suco de laranja com seu canudinho.
Os que mais jogam resíduos e materiais plásticos nos oceanos são a China, Indonésia, Filipinas, Vietnam e Sri Lanka que respondem por 54 por cento deste lixo. O problema não está em Joinville.
A tentativa de substituí-los por canudos de papel apresenta os mesmos problemas da substituição das sacolas de plástico pelas sacolas de papel.
Um antigo estudo canadense havia mostrado que 100 mil animais marinhos e pássaros haviam morrido por causa dos restos de redes de pesca. Não mencionou sacos de plástico. Mas os eco terroristas manipulam as estatísticas e mentem com cara-de-pau, espalhando fake news que influenciam as pessoas em relação ao lixo plástico. Em vários lugares o banimento de sacolas plásticas levou a um aumento do uso de sacolas de papel de 5 a 30 por cento. Sacolas de papel pesam mais, custam mais para serem fabricadas e transportadas, raramente são reutilizadas e tomam mais espaço nos aterros sanitários do que sacolas de plástico. Em 2011 a UK Environment Agency publicou um estudo para mostrar o impacto no meio ambiente dos vários tipos de sacolas que são utilizadas na Inglaterra (https://assets.publishing.service.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/291023/scho0711buan-e-e.pdf). Os pesquisadores observaram o número de vezes que as sacolas deveriam ser reutilizadas para terem o mesmo impacto no meio ambiente que as de plástico. O resultado foi: sacolas de papel- 4 vezes, Polietileno de baixa densidade (LDPE)- 5 vezes, Polipropileno (PP) – 14 vezes e sacola de algodão – 173 vezes.
Além disso, o uso de sacolas reutilizáveis necessita de lavagem periódica (aumentando assim o consumo de água) e estudo da University of Pennsylvania e George Mason University
mostrou aumento no número de pessoas infectadas por uma bactéria (E.Coli) que prolifera nessas sacolas reutilizáveis que não são lavadas adequadamente.
O mais racional é orientar as pessoas para que não joguem plástico no meio ambiente e aumentar as pesquisas para sua adequada reciclagem.
O custo de uma sacola de plástico varia de R$ 0,04 centavos a R$ 0,08. De acordo com algumas propostas e da mesma maneira em que vários países da Comunidade Europeia fazem, estas sacolas seriam vendidas, aos que as solicitassem, por R$ 0,10 ou R$ 0,25. Não há no mercado financeiro nenhum ativo que dê esse retorno ao investidor. E isso bancado por você, otário. Esses políticos querem é chupar o dinheiro de seu bolso; e não com canudinhos.