Enquanto em Santa Catarina o governador eleito Carlos Moisés da Silva conduz a transição como segredo de Estado, no plano federal ela é feita às claras com acertos e solavancos.
Existe, por vezes, impressão de desorganização na transição. Parece que não há um planejamento de ações, nem a centralização na comunicação de iniciativas. O ideal seria distribuir tarefas e designar alguém para falar publicamente pelo governo de transição. Neste momento, o governo deve falar mais com atitudes do que com declarações.
Vamos agora aos sinais positivos. Bolsonaro, apesar de sua rotina de dar declarações diárias, tem se mantido dentro do figurino esperado de um presidente eleito. Sem dúvida, a equipe econômica, com Paulo Guedes, Mansueto Almeida e Joaquim Levy, é muito forte.
A indicação da deputada federal Tereza Cristina (DEM) para a pasta da Agricultura foi muito positiva por consolidar a base de apoio ruralista no Congresso. A indicação do juiz Sérgio Moro para o Ministério da Justiça é igualmente positiva e revela dois aspectos: o governo Bolsonaro ganha o selo de qualidade da Operação Lava-Jato; Moro tem capacidade técnica e liderança para fazer um bom trabalho na segurança pública.
A agenda econômica voltada para a simplificação tributária e a desburocratização é um sinal positivo excepcional. Colocando o Doing Business in the World do Banco Mundial como guia, o novo governo quer galgar pelo menos 40 posições, saindo do vergonhoso 120º lugar para o 80º em quatro anos. Parece pouco, mas se isso se realizar será quase uma revolução no ambiente de investimentos.
Outro sinal positivo excelente está sendo dado por investidores. Desde a eleição de outubro até o momento em que concluo este texto, tenho recolhido informações que resultam em mais de R$ 6 bilhões a serem investidos no Brasil. São empresas como BMW, Toyota, JAC Motors, Nivea, Havan, entre muitas outras.