…Tua mão esquerda não deve saber. Trata-se de uma passagem bíblica, sobre atos de caridade. Na íntegra: “Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. […] Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita.”. Fala-se aqui sobre humildade e o real sentido da caridade, que é ajudar ao próximo, e não louvar a si mesmo. Até os que não creem na bíblia como um livro divino podem admirar a verdade em tais palavras.
Infelizmente, não é o que se vive nos dias de hoje. Ouso dizer que não só hoje as pessoas têm usado atos que deveriam ser de amor, somente para “aparecer”, como uma “publicidade” em prol de si. Mas, num mundo invadido pelas redes sociais, isso fica cada vez mais evidente – e estúpido, devo dizer.
As pessoas falam sobre “mais amor, por favor” com afinco, avidez e até certa “violência” no mundo digital, ao tempo que são também capazes de, na vida real, agir sem qualquer empatia. Não se trata só de compadecer-se da fome, doenças, pobreza. É também sobre situações banais do dia a dia, onde o orgulho, vaidade, arrogância têm tomado total conta das relações. Cada um enxerga somente o próprio lado. Nós, humanidade, brigamos, falamos mal do próximo, tantas vezes de coração endurecido deixamos de perdoar. E, no instante seguinte… Lá estamos, postando foto dando comida aos pobres, adotando um animalzinho abandonado, falando sobre “amor”, adulando a própria imagem. Pra quê?
Pois mais importante que falar sobre o amor é vivê-lo – enxerga-se atos mais do que ouve-se palavras, afinal. Portanto, não há propósito em auto divulgar-se. Deixemos que outros os façam se assim desejarem. Que divulguem bons atos do alheio, mas não sobre si. Não há nada mais contrário à caridade que divulgá-la – esta, pois, é completamente altruísta, enquanto vangloriar-se por fazê-la não passa de um mero egoísmo insignificante. Enfim, que fique a reflexão para todos nós.