Despedida

Eliminar restrições e redefinir caminhos
18 de outubro de 2019
Por candidatos independentes
18 de outubro de 2019

Eles vieram tangidos pelo reconhecimento, gratidão e, sobretudo, pela amizade. O Centreventos se transformou em local de peregrinação durante todo o dia, onde gente humilde, políticos e empresários chegaram para a última despedida de Marco Tebaldi.
O padre Renato celebrou as exéquias. Ivandro Souza se fez de mestre de cerimônias e pessoas de todos matizes políticos se revezaram na microfone para depoimentos e o adeus. Novamente, em morte, Tebaldi reuniu adversários. Sempre o combateram, mas o reconheciam como um homem de valor. O mais ferrenho antagonista do ex-
prefeito foi o PT, e lá estava Carlito Merss, sua fi gura máxima em Joinville. Notável.
Na cerimônia fi nal, antes da saída do féretro, discursam notáveis, como: o prefeito Udo Döhler; o presidente da Câmara de Vereadores, Cláudio Aragão; a vice-presidente estadual do partido, deputada Giovania de Sá; ex-senador Paulo Bauer; todos os deputados por Joinville (exceto o coronel Armando, que estava em viagem), e parlamentares de todas as regiões.
Amigos como Moacir Bogo lembraram da luta para que a majoritária colônia italiana da cidade se unisse e promovesse eventos para divulgar a cultura e valores dos “oriundi”. Por fi m, o cortejo seguiu para o Cemitério Municipal com o corpo levado pelo Corpo de Bombeiros. Tebaldi fez por merecer.

O futuro

O funeral do Tebaldi foi também um evento
político. Ivandro Souza, manifestamente
candidato a prefeito, é quem teve mais exposição.
Paulo Bauer, em seu discurso cheio de mensagens
cifradas, disse que em sua última conversa
Tebaldi falou muito sobre o futuro de Joinville.
Praticamente colocou-se como repositário
dessas esperanças. Aqui pelos meus óculos, não
estranharei se o PSDB de Bauer estiver com o
MDB de Udo na próxima eleição. Bauer vice?
Nos bastidores comentava-se sobre a
possibilidade do fi lho Marquinhos se colocar
como herdeiro de Tebaldi, e alguns amigos diziam
que é provável que seja candidato a vereador.

Falaram

O presidente da Câmara, Claudio Aragão (MDB), discursou em nome do Legislativo no velório de Marco Tebaldi, na tarde do dia 14, no Centreventos Cau Hansen, lamentando a perda do ex-
vereador, prefeito e deputado federal. “Tebaldi representou muito para Joinville, deixando um grande legado”, disse.
O vereador Odir Nunes também discursou, já que é presidente do PSDB de Joinville, partido ao qual
Tebaldi era filiado. “Todos do PSDB estamos entristecidos. Tebaldi tinha muitos planos para melhorar Joinville”, disse. O presidente da Câmara lembrou que Tebaldi receberia o título de Cidadão Honorário nesta noite – o evento foi cancelado. O título é entregue a nascidos em outras cidades, mas que prestaram serviços relevantes a Joinville.
“Hoje era para ser um dia de festa e reconhecimento. Entretanto, o homem faz um plano, mas Deus tem outro. De qualquer forma, estamos aqui para reconhecer tudo o que esta grande personalidade política fez pela cidade”,
afirmou Aragão. Ele disse que a cerimônia poderá acontecer em outra data, de acordo com o desejo da família (Texto de Marina Bosio).
Outros vereadores também estiveram no velório, assim como várias autoridades, entre elas o prefeito de Joinville, Udo Döhler (MDB), senadores, deputados federais e estaduais e secretários de Estado.
As reuniões de comissões da Câmara foram canceladas e a sessão aberta e fechada em seguida, conforme o Regimento Interno.

Discurso de Aragão

Tebaldi foi vereador e o discurso ofi cial em nome do legislativo joinvillese foi produzido pelo vereador presidente Cláudio Aragão:
“Steve Jobs, abatido pela mesma doença que nos levou Tebaldi, disse em seu mais famoso discurso, em 2005:
“Às vezes, a vida te acerta na cabeça com um tijolo. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me fez seguir adiante (depois de ser despedido da sua própria empresa) foi amar o que faço”.
Tebaldi nunca perdeu a fé. Sempre foi movido por ela. Tinha absoluta crença no que fazia e sempre agiu pensando em Joinville e nas pessoas. Assim foi quando urbanizou trechos de mangue para salvar o conjunto da fl oresta. Benefi ciou pessoas que nada tinham e impediu que a devastação prosseguisse. O projeto rendeu-lhe, primeiro críticas, e depois reconhecimento e prêmios.
Agora ele partiu, não sem lutar com denodo contra o mal que o consumia.
Sobre a morte, ensinou-nos Santo Agostinho que :
‘Vocês são vocês. Estão vivos, a vida não pode parar porque um membro da família partiu. O que eu era para vocês, eu continuarei sendo.
Se dei bons exemplos, siga-os, se fui bom imitem-me, se deixei vocês com saudades, quando se lembrarem de mim façam uma oração, peçam meu descanso, meu repouso e que meu encontro com Deus, seja minha glória.
Me deem o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como vocês sempre fi zeram.
As lágrimas de vocês me fazem um enorme mal, cada um de nós tem seu dia marcado, o meu veio agora.
Pensem simplesmente que nos encontraremos mais cedo ou mais tarde.
Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou vivendo no mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene ou triste, continuem a rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem diferença por eu não estar presente, não sai da vida de vocês porque quis, mas sim porque Deus determinou, aceitem para que eu não lamente estar sendo motivo de sofrimento, pois jamais os magoaria por minha vontade.
Não tenham revoltas, não lamentem, apenas tentem compreender. Se não lembrarem de mim com alegria, vou fi car no meio do caminho, sem poder ir para onde tenho que ir, sabendo que nada posso fazer para voltar para vocês.
Não quero tristeza, não quero lágrimas, quero orações.
A vida signifi ca tudo o que ela sempre signifi cou o fi o não foi cortado.
Por que eu estaria fora de seus pensamentos, agora que estou apenas fora de suas vistas?
Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do caminho…’
Vá com Deus Tebaldi. Joinville não te esquecerá”.

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