Atalaia – Mais armados

Editorial – Negação e negligência do governo
23 de julho de 2020
Algumas reflexões sobre o uso de máscaras
23 de julho de 2020

Mais armados

Segundo levantamento de O Globo, Santa Catarina tem 51.330 registros de armas ativas. Média de 716,4 para cada grupo de 100 mil habitantes, enquanto a média nacional é de 242. É o segundo Estado com a população mais armada do país. Só fica atrás do Acre, onde há 759 armas para cada grupo de 100 mil habitantes.

Faltou ao jornal levantar o fato histórico. Lages foi fundada por paulistas armados para conter gaúchos (uruguaios e riograndenses ao sul), o oeste foi colonizado por gaúchos de origem italiana e alemão com tradição de posse e uso de armas. As regiões de origem alemã trouxeram da Alemanha a tradição dos Clubes de Tiro. A tradição nos salvou de sermos saqueados pelos federalistas. Foram rechaçados à bala em Blumenau. Desembarcaram em Joinville nas condições impostas por atiradores e bombeiros armados. Ficaram por aqui quietinhos se recuperando da surra de Blumenau. Quando puderam, subiram a serra e foram saquear Curitiba, que não tinha as armas. Simples assim.

 

 

Mais dois

O recém-empossado ministro da Educação, Milton Ribeiro, e o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, estão infectados por coronavírus. Com o comportamento inconsequente do Presidente, duvido que alguém do seu entorno escape da praga. Tomara que ninguém pague com a vida.

 

 

Darci positivo

O deputado federal Darci de Matos está com o coronavírus. Com sintomas, procurou privado em Joinville onde o contágio foi constatado e diagnosticado pela lesão nos pulmões. Ele está em isolamento domiciliar. Pelas redes sociais, o deputado bolsonarista informou que está se medicando com hidroxicloroquina. Melhoras.

 

 

Infeliz

Não posso estar feliz. Nauro Selbach e a Sandra Selbach travam luta contra o coronavírus. O amigo querido Robinson Luís De França está grave. A esposa Soraia está internada em enfermaria. O filho Arthur aparentemente não foi contagiado. Está com o tio Romualdo França. Peço a Deus por todos e um pouquinho mais por eles.

 

Não prendia

O ano era 84. Eu fazia parte do Departamento Central de Informações da Secretaria de Segurança Pública, criado dois anos antes para substituir o mal afamado DOPS. Inteligência operacional em vez de perseguição e espionagem política.

Numa sexta, saindo para Joinville, o secretário Heitor Sché pediu-me para ter uma conversa com o delegado regional de Polícia João Pessoa Machado. Nos sabia amigos.

João comandava a polícia em toda a região nordeste e contava, como adjunta, com a incansável, bela e durona delegada Maria de Lourdes Pereira Zachi. Ela, Lúcia Stefanovich e Ester Coelho foram as primeiras mulheres delegadas da polícia civil catarinense. Lúcia chegou a ocupar a titularidade da Secretaria de Segurança.

Cheguei em Joinville por volta das 18 horas. Não teve nem perdida, entrei pela Anita Garibaldi e fui direto ao bar do Luizinho, na Monsenhor Gercino. Bingo. Camisa estampada para fora das calças, de costas para a porta, lá estava o João entreverado numa rodada de “caxeta”. Notou-me, acabou a partida e saímos a rua para rápida conversa. Após o assunto formal, resmunguei sobre o perigo da maior autoridade policial do norte catarinense sentar-se desarmado de costas para a porta. E ele, sorridente:

-Joãozinho, por que alguém vai me querer mal? Eu não prendo ninguém. Eu mando é soltar.

E se foi, gargalhando, juntar-se ao inseparável Tigi, aquele que só fazia sexo com a Dona Teresa se o Flamengo ganhasse, mas isso é outra história. Abaixo, o João à esquerda e o Tigi à direita. Ambos se foram cedo. Certamente lá em cima a festa corre solta todo dia.

 

 

“Teje” preso

O desembargador Zanini Fornerolli não conheceu, agora, de habeas corpus coletivo impetrado por 14 advogados, em nome de todos os presos recolhidos ao sistema prisional catarinense no regime semiaberto, a fim de conceder-lhes progressão de regime ou ainda permitir saídas temporárias monitoradas por tornozeleiras eletrônicas enquanto perdurar o atual quadro de pandemia. Subsidiariamente, os advogados pleiteavam também que ao menos aqueles enquadrados em grupo de risco, recolhidos em unidades superlotadas ou sem equipe mínima de saúde, sejam colocados em regime aberto domiciliar.

 

Do Faustão para a cadeia

Natacha Horana, bailarina do Domingão do Faustão, foi presa na madrugada de hoje segunda-feira (20) em Balneário Camboriú. Segundo o colunista Leo Dias, da revista Quem, ela teria desacatado as autoridades após a polícia local ter sido acionada com a denúncia de uma festa com som alto e mais de 20 convidados. Natacha estaria escondida em um dos cômodos da casa e, quando a polícia a encontrou, teria acontecido um suposto confronto, com direito a desacato, que culminou na detenção da bailarina que, de acordo com o jornalista, apresentava sinais de embriaguez e alteração de comportamento.

 

 

Musste es ein schwarzer Kopf sein?

Bom dia.

A questão racismo voltou a pontuar a pauta da imprensa no mundo e por imitação no Brasil.

Racismo existe, claro. Quem já não ouviu a expressão “caboclo vadio”, alemão grosso, nazista ou burro, negro safado, italiano ladrão e por aí a fora? Aponto aqui só as publicáveis. Eu tenho a ONU escorrendo nas veias: negro, índio, belgas, espanhóis e judeus marranos. Cabelos negros e pele morena, virei “caboclo”. Mas violento e treinado para não deixar barato, ganhei o silêncio com os punhos e respeito sendo o melhor aluno da escola. Primeiro lugar nos três primeiros anos e terceiro lugar no quarto. Sempre com a mesma média final de 95. Os cinco pontos sempre perdidos no “comportamento”, claro. E sigo assim até hoje. Procurando a cada dia aprender mais, me qualificar mais.

Racismo existe sim, mas o que faz um vencedor ou perdedor não é a raça. É educação. Primeiro a de casa, depois na escola. E o ingrediente principal é a vontade e determinação.

A primeira deputada catarinense e a primeira parlamentar negra do Brasil foi Antonieta de Barros, por dois mandatos. Chegou a presidir a Alesc. Morreu cedo. Foi professora, jornalista e escritora também. A mãe, uma ex-escrava, viúva e lavadeira entendeu seu tempo e incutiu ambição e orgulho na filha.

Cruz e Souza, o Dante Negro ou Cisne Negro, foi um dos precursores do simbolismo no Brasil. Segundo Antonio Candido, Cruz e Sousa foi o “único escritor eminente de pura raça negra na literatura brasileira”.

Em minha vida pessoal nunca vi alguém ser promovido ou demitido pela raça. E sim por competência, comprometimento, honestidade ou falta desses atributos.

Na imprensa joinvilense tivemos vencedores negros e respeitados em todas as funções. Ficarei com A Notícia e espero que a memória não faça injustiça a esquecidos. A começar pelo porteiro. O baixinho e irascível negro Nazário. Mandava mais que “seu” Helmuth, o motorista Alaor. Dona Lourdes, do “cafezinho”, mãe de todos. Risonha, conselheira dura. Flávio Silveira, não me deixa mentir. Não titubeava em passar descomposturas do dono para baixo. Na redação, o mestiço Nerval como diretor e Alaor Lino da Silva no comando geral. Um índio, professor de gerações. No Esporte, o Joel (Maceió) Nascimento. Simplesmente uma lenda.

Depois vieram os mais novos: Vania Oliveira, Jeronimo Airton Carmo, Carlão e Marco Aurélio Braga. Perguntem a qualquer um deles sobre cotas. Vão apenas dar um grunhido de desprezo.

Marcão, Secretário de Comunicação da PMJ é hoje um dos mais influentes do Estado nesse setor e desfruta da rara condição de ser amigo e conselheiro de Udo. Seguirá com ele.

Todos os negros vencedores com quais cruzei na vida tinham algo em comum. Não mendigavam favores. Faziam valer seus direitos e os conquistavam pelo trabalho e postura.

No jantar que “seu” Ingo Hering ofereceu no Tabajara, para marcar minha posse como diretor do Jornal de Santa Catarina, um empresário arrogante se aproximou e falou-lhe em alemão, sem saber que conheço para o gasto, o idioma de Goethe:

-Musste es ein schwarzer Kopf sein? (tinha que ser um cabeça preta?)

-Habe das Beste wollen (tem que ser o melhor), disparou Hering de cara fechada.

 

 

Salvação mais perto

Vacina de Oxford para Covid-19 é segura e induz resposta imune, indicam resultados preliminares. Vacina teve o efeito esperado pelos pesquisadores nos primeiros estágios. Terceira fase dos testes está ocorrendo no Brasil. É provável que seja necessário tomar uma segunda dose da vacina.

 

Mais de 160

De acordo com a OMS, há 163 vacinas sendo testadas contra o coronavírus, sendo que 23 delas estão na fase clínica, que é o teste em humanos. Os números são do balanço da organização com dados até 14 de julho.

 

 

Salvando a lavoura

A BRF, o maior conglomerado de alimentos do mundo, dona das catarinenses Sadia e Perdigão, está anunciando o lançamento de uma campanha internacional para explicar a seus consumidores que para produzir a enorme lista de produtos independe do desmatamento da Amazônia. Não tem negócio.

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